Manifesto por uma virada histórica

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Escolher o futuro, o bem viver e a democracia viva

Reeleger uma mulher negra não é um gesto simbólico nem um favor institucional. É uma decisão política histórica sobre o futuro do Brasil. 


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Por Carol Dartora

Escolher o futuro, o bem viver e a democracia viva

Reeleger uma mulher negra não é um gesto simbólico nem um favor institucional. É uma decisão política histórica sobre o futuro do Brasil. Em um contexto marcado pelo avanço do autoritarismo, pela radicalização neoliberal e pela naturalização da violência política, defender mandatos negros e femininos é defender a própria democracia e o direito coletivo ao bem viver. Trata-se de afirmar que há vidas que importam, saberes que importam e projetos de país que não aceitam ser silenciados.

Vivemos um tempo de disputa profunda. O neoliberalismo, como analisa Mark Fisher, produz a sensação de que “não há alternativa”, capturando a imaginação política e impondo o sofrimento social como destino inevitável (FISHER, 2009). Slavoj Žižek complementa ao afirmar que o cinismo ideológico transforma a desigualdade em normalidade e o autoritarismo em método. Este manifesto nasce para romper com essa lógica e afirmar que o futuro não está cancelado: ele está em disputa.

Chamamos de virada histórica o momento em que sujeitos historicamente excluídos deixam de ser exceção tolerada e passam a alterar estruturas, sentidos e regras do poder. Não se trata apenas de ocupar espaços, mas de transformá-los. É a passagem da presença simbólica para a presença estruturante, quando a política deixa de nos atravessar apenas como violência e passa a ser campo de criação coletiva.

Pierre Bourdieu explica que a dominação se sustenta pela violência simbólica, “uma violência suave, invisível e insensível às próprias vítimas” (BOURDIEU, 1998, p. 7), que naturaliza hierarquias e desigualdades. A virada histórica ocorre quando essa naturalização é rompida e as estruturas passam a ser nomeadas, enfrentadas e reorganizadas.

A Constituição Federal de 1988 marcou um ponto de inflexão ao definir o racismo como crime inafiançável e imprescritível. Isso não significou sua superação, mas o deslocou do campo do costume para o campo da ilegalidade. Sueli Carneiro afirma que o racismo e o sexismo operam como sistemas articulados de poder no Brasil, produzindo desigualdades persistentes e legitimadas (CARNEIRO, 2003).

Cida Bento denomina de pacto da branquitude o acordo tácito de autoproteção dos privilégios raciais, no qual “o silêncio e a omissão são estratégias centrais de manutenção do poder” (BENTO, 2022, p. 39). Esse pacto se manifesta de forma contundente quando avanços negros geram reações violentas, tentativas de contenção e sabotagens institucionais.

Os avanços na educação, especialmente por meio das políticas de ação afirmativa, produziram uma mudança de escala histórica. A presença negra nas universidades deixou de ser exceção e se tornou fenômeno coletivo. Paulo Freire já afirmava que “a educação é um ato político” e que não existe neutralidade diante da injustiça (FREIRE, 1983).

Bell hooks nos lembra que “erguer a voz é um gesto de resistência” (HOOKS, 2019, p. 15). Nilma Lino Gomes afirma que o Movimento Negro é um educador da sociedade brasileira, pois produz saberes, tensiona currículos e constrói políticas públicas antirracistas (GOMES, 2017). Esses avanços não foram concessões, mas conquistas fruto de luta histórica.

Grada Kilomba denuncia que “o racismo cotidiano é uma repetição traumática da violência colonial” (KILOMBA, 2019, p. 26). Neusa Santos Souza demonstrou que “tornar-se negro é uma experiência dolorosa em uma sociedade que nega a humanidade do negro” (SOUZA, 1983, p. 77). Essas formulações ajudam a compreender o sofrimento ético-político que atravessa a subjetividade negra.

Aqui emerge o dilema central da geração negra nascida a partir dos anos 1980: uma geração que teve mais acesso à educação, à política e à produção intelectual do que qualquer outra antes dela, mas que também enfrenta níveis elevados de violência simbólica, psicológica e institucional. É a geração da abertura e da contenção, da possibilidade e da punição.

Somos a geração que entrou na universidade e, ao mesmo tempo, passou a ser questionada em sua legitimidade. A geração que ocupou a política institucional e passou a sofrer violência política de gênero e raça. A geração que conquistou visibilidade e passou a ser alvo preferencial do ódio. Mais acesso, mais poder e, paradoxalmente, mais ataque.

Angela Davis nos ensina que não há democracia sem enfrentar conjuntamente raça, gênero e classe, pois as opressões são interdependentes (DAVIS, 2016). Achille Mbembe define a necropolítica como o poder de decidir “quem deve viver e quem pode morrer” (MBEMBE, 2018, p. 5). A violência contra corpos negros na política é parte dessa gestão da vida e da morte.

Este manifesto afirma que a resposta a esse dilema não é o recuo, mas a radicalização democrática. Não é o silêncio, mas a ampliação da voz. Não é a adaptação ao medo, mas a construção coletiva do bem viver como horizonte político.

Convocamos instituições democráticas, movimentos sociais, sindicatos, universidades, coletivos culturais, organizações populares, lideranças religiosas comprometidas com a justiça social, personalidades públicas e cidadãs e cidadãos a assinarem este manifesto.

Assinar este manifesto é afirmar a democracia viva. É escolher o bem viver como projeto de futuro. É tomar posição na virada histórica em curso.

Por que votar em Carol Dartora

Nas próximas eleições, o Paraná e o Brasil têm a oportunidade de renovar o compromisso com a coragem, a representatividade e a transformação social reelegendo Carol Dartora como deputada federal.Mulher negra, historiadora, professora da rede pública e líder sindical, Carol Dartora gravou seu nome na história política do país como a primeira vereadora negra eleita em Curitiba e, posteriormente, como a primeira deputada federal negra da história do Paraná. Sua trajetória é a prova viva de que a ocupação dos espaços de poder por corpos e vozes historicamente marginalizados é o caminho para construir uma democracia de fato justa e inclusiva.

Assista ao vídeo e conheça a Deputada Federal Carol Dartora

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Quem é Carol Dartora

Carol Dartora é professora, historiadora e a primeira deputada federal negra eleita pelo Paraná. Sua trajetória vem da educação pública, da luta antirracista e da defesa dos direitos de quem historicamente foi deixado de fora dos espaços de decisão. Na Câmara dos Deputados, atua por educação, igualdade racial, direitos das mulheres, direitos LGBTQIA+, cultura, direitos humanos e justiça social, transformando luta e representação em políticas públicas que chegam à vida das pessoas.

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